Jude Law é Hamlet na Broadway. O fantasma ronda


Não vou tecer comentários. Não vou ter chance de ver a  peça. Mas, para quem talvez tenha chance desse prazer, fica o aviso. Jude Law estréia “Hamlet”, na Broadway, dia 6 de outubro. É no Broadhurst Theatre. A peça vem de Londres, com um monte de elogios da crítica. Reproduzo em inglês para respeitar o que restou da língua do bardo. 

“A CAPTIVATING, MODERN PRODUCTION. JUDE LAW’S SCINTILLATING PORTRAYAL GOES RIGHT TO THE MARROW.”  (Daily Express)

“A SWIFT, CLEAR, WELL-STAGED VERSION OF SHAKESPEARE’S MOST EXCITING PLAY.” (The Guardian)

 

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Jude Law é 'Hamlet'

Começo a sentir uma dó enorme de não poder tecer comentários. De não poder ver o espetáculo. Mas há de haver outras oportunidades de experimentar “Hamlet”. Até porque, é inevitável. 

“Hamlet”, a peça, é ela mesma um fantasma que fica rondando quem faz teatro, rondando e clamando por grandeza de atitude.

Em coisa de um ano, fui da leitura por puro prazer e curiosidade ao exercício escolar, mas fascinante, de interpretação de um minúsculo trecho. Entre um e outro, assisti à montagem de Aderbal Freire Filho, fiz uma prova teórica que exigia conhecimentos da obra, assisti a um documentário analítico da Royal Shakespeare Company sobre a história… E sem que houvesse grandes planos, ou que uma coisa tenha puxado a outra. Simplesmente aconteceu. O fantasma estava lá, na hora de sempre ou quando menos se esperava.

O pai-fantasma aqui, porém, não é o do príncipe, mas o da obra. O que Shakespeare tinha a dizer a quem se dedica ao teatro ficou cristalino em “Hamlet”. Como todo fantasma,  é uma voz do passado que fala no presente. E assusta.  Não só porque fala. Mas pelo que sabe. Sabe do que foi. E (arrepios!) parece continuar sabendo do que há. 

Para as suas revelações, serve o conselho do Livro das Revelações: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

“Peço uma coisa, falem essas falas como eu as pronunciei, língua ágil, bem claro; se é pra berrar as palavras, como fazem tantos de nossos atores, eu chamo o pregoeiro público pra dizer minhas frases. E nem serrem o ar com a mão, o tempo todo (faz gestos no ar com as mãos); moderação em tudo; pois mesmo na torrente, tempestade, eu diria até no torvelinho da paixão, é preciso conceber e exprimir sobriedade – o que engrande-ce a ação. Ah, me dói na alma ouvir um desses lata-gões robustos, de peruca enorme, estraçalhando uma paixão até fazê-la em trapos, arrebentando os tímpanos dos basbaques que, de modo geral, só apreciam berros e pantomimas sem qualquer sentido. A vontade é man-dar açoitar esse indivíduo, mais tirânico do que Terma-gante, mais heródico do que Herodes. Evitem isso, por favor.”

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